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A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original… (Albert Einstein)
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A minha última semana começou em Londres. Por esta altura do ano, o movimento é mínimo e, para além de
strippers e prostitutas, pouca gente vi na rua. Os ambientes sadomasoquistas são agora o ponto de encontro
onde se conseguem umas fotos giras para mostrar aos amigos. No dia seguinte, voei para a praia de Búzios,
no Brasil, mas depressa saturei as conversas. Assim, na noite seguinte, já me encontrava no Japão. Apesar
da interessante diferença arquitectónica e cultural, fiquei com a ideia de que os japoneses só pensam em
ganhar dinheiro. Voltei para a Europa e a Ilha de Cittadella, em Itália, parecia ser um destino seguro. Na
realidade, o local é um sucesso de movimento nocturno e naquela noite conheci gente de todos os continentes.
No final da semana, ainda passei pelo Egipto, um sítio bem curioso, mas onde não encontrei vivalma. O meu
regresso a Lisboa estava marcado para as 5h 30 da manhã. A essa hora, a Praça Principal já só costuma ter
“agarrados” e um ou outro turista perdido. Naquele dia, uma miúda estava a conseguir expulsar todas as
visitas femininas que apareciam. Uma das “vítimas” foi uma brasileira minha conhecida que só tinha vindo a
Lisboa mostrar-me o seu novo penteado e roupa. Estava horrível, mas a nossa miúda depressa lhe disse… o que
eu só tinha coragem de pensar.
Na verdade, a altas horas da madrugada, Lisboa pode ser bem cruel. Com um humor hilariante, por vezes
basta um pequeno grupo para conseguir que não pare lá ninguém. Os “terríveis” vão contabilizando o
tempo que os visitantes aguentam e que raramente ultrapassa os 2 ou 3 minutos. Os mais seguros de si e
com maior capacidade de humor lá conseguem resistir e passam, de imediato, a ser integrados no grupo,
que, assim, se reforça com mais um adepto terrível… à espera da próxima vítima.
Naturalmente, falo-vos do Second Life o jogo on-line do momento. Com mais de 10 milhões de utilizadores
registados, dos quais 150.000 são portugueses, a Linden Lab, empresa responsável pelo jogo, revelam-nos
que por semana podem estar mais de quinhentas mil pessoas activas na plataforma. Com o ranking de
utilizadores registados comandado pelos Estados Unidos e os lugares seguintes a pertencer ao Brasil e
Japão, Portugal ocupa hoje o 12º lugar. Porém, se for contabilizado o número de utilizadores dividido
pelo número de habitantes dos seus países, a melhor percentagem é da Holanda e Portugal é já o segundo
país com maior adesão à “segunda vida”.
“Mas o que tem de tão mágico este jogo?” perguntará o leitor. Simplisticamente, posso dizer que criamos
um boneco à nossa imagem (ou não) que pode viajar por todo mundo e falar on-line com qualquer outro
utilizador. Com todos os cenários em 3D, podemos construir casas, montar negócios ou trabalhar. O
objectivo do jogo é ganhar dinheiro, enquanto interagimos com os vários locais e utilizadores (avatares).
Em constante crescimento de espaços e utilizadores, muitos são os que não jogam e apenas vivem uma Second
Life. Talvez, por isso, seja surpreendente a ajuda que qualquer iniciado recebe dos utilizadores mais
experientes.
Em apenas um mês de utilizador regular, confirmei como a política e as marcas já perceberam o potencial
do jogo. Pelas madrugadas, conheci pessoas com doenças terminais que passam aqui os seus últimos dias,
onde continuam tão vivos como todos os outros utilizadores. Depois… Bem, depois, há todo o potencial
emocional que o Second Life consegue, para quem é capaz de dar tempo suficiente ao jogo.
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Curiosamente, num tempo onde tanta gente se preocupa com a obsessão que as novas gerações têm pelas
consolas de jogos, tendência que baptizamos de consolismo, parece-me que poucos se aperceberam que o
Second Life já é muito mais que um jogo. Talvez seja mesmo o início de uma nova era que junta o
consolismo a uma nova dimensão virtual de vida e que reforça a ideia que todos nós podemos ser tudo
aquilo com que sempre sonhamos, pois, pelo menos por aqui, existirá sempre vida antes da morte…
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Paulo Antunes - Outubro 2007
Entre mortos e feridos alguém há-de escapar (ditado popular)
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O Instituto Nacional de Estatística anunciou que o número de empresas criadas voltou a cair pelo quarto ano consecutivo. A esta notícia
podemos juntar a informação de que o número de empresas criadas é agora menos de metade das constituídas há quatro anos. Contabilizados
apenas os últimos dois anos, Portugal ficou com menos 48.500 micro ou pequenas empresas e perdeu 21 mil trabalhadores independentes. Por
sua vez, o Instituto de Emprego e Formação Profissional confirma que o número de desempregados, em virtude de se ter terminado uma
actividade por conta própria, triplicou nos últimos cinco anos. Refira-se que a redução do número de trabalhadores por conta própria é
preocupante, pois provêm deste leque de trabalhadores independentes a maioria das novas empresas criadas. Para ajudar à festa, o Global
Entrepreneurship Monitor vem confirmar que o nosso país tem agora um dos mais baixos níveis de propensão empreendedora da União Europeia
(apenas 4% da nossa população apresenta características empreendedoras). Contudo, a aposta na criação de empresas e no empreendedorismo
tem sido uma preocupação constante dos nossos governos. Mas então o que estaremos nós a fazer de errado?!?... Por certo, muita coisa.
Possivelmente começamos por errar na obsessão de criar empresas a curto prazo, em vez de apostar numa formação de empreendedores a médio e
longo prazo. Apesar da regular aposta em formações de empreendedorismo, a grande maioria dos conteúdos está formatada apenas para
transformar actuais desempregados em patrões. O problema é que não serão patrões, com planos de negócios feitos à pressão, que tornarão o
país mais empreendedor. Na verdade, para formar empreendedores será necessário desenvolver ou potenciar uma série de características
pessoais que ultrapassam, em muito, uma formação em plano de negócios.
Sem pretensões de criar um padrão ou modelo rígido, é possível, ainda assim, traçar as características mais comuns aos empreendedores.
Normalmente, um empreendedor é um indivíduo confiante, de conhecimentos generalistas, que gosta de “mexer” em tudo um pouco. De propensão
activa e “natureza” obsessiva, o empreendedor tem uma capacidade de auto-motivação e entrega ímpar. De pensamentos hereges, a criatividade,
capacidade de iniciativa e paixão (worklover) com que se dedica às tarefas tornam-se contagiantes para aqueles que o rodeiam. De humor
apurado, esta “espécie” em vias de extinção apresenta, muitas vezes, um curriculum com experiência associativa, pois foi nestas organizações
não lucrativas que aprendeu a liderar e motivar equipas, sem poder dar qualquer remuneração.
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Naturalmente são muitas características para desenvolver apenas em algumas horas formativas e, por certo, não será uma formação em criação
de empresas (baptizada com o nome de empreendedorismo) que transforma alguém, que não tem características empreendedoras, num empreendedor.
Na verdade, com formadores proféticos e uma formação teórica, que tem por base a elaboração de planos de negócio, jamais se conseguirá
desenvolver o espírito empreendedor. Daniel Goleman advertiu-nos da ineficácia natural de uma
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formação onde o formador não apresenta as
características daquilo que defende em conteúdo. Assim sendo, uma formação profética com métodos conservadores apenas poderá ambicionar à
formação de simples apreendedores. A formação de empreendedorismo terá que começar pela heresia dos formadores e pelo exemplo dado na
inovação dos métodos e técnicas, pois a história sempre foi feita por hereges e apenas relatada por profetas. Sempre foi e sempre será…
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Paulo Antunes - Junho 2007
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Quem não sabe é como quem não vê (Ditado Popular)
Num mercado cada vez mais competitivo há muito que as empresas, para marcar a diferença, deixaram de
pensar apenas em vender produtos ou serviços, para passarem também a oferecer emoções e experiências.
Fruto desta nova realidade, o marketing e a publicidade têm continuado a desenvolver as suas técnicas
para perceber afinal o que vai na mente dos consumidores. Questões como: o que levará o consumidor a
optar por determinada marca ou produto?!?... Quais serão as emoções que as pessoas identificam com
determinada marca ou produto?!?... parecem agora ser respondidas com os estudos do neuromarketing. Esta
nova ciência resulta da junção da neurociência (estudo do sistema nervoso humano) com o marketing. A
finalidade é a de sempre: conhecer o comportamento do consumidor. E, apesar de novidade, muitos dos
primeiros crentes no neuromarketing são nossos velhos conhecidos como General Motors, Ford, Coca-Cola
ou BMW.
Mas tentemos explicar de forma simples o processo. Coloca-se um indivíduo em contacto com determinados
produtos, marcas ou campanhas. Depois, com a ajuda de um aparelho de ressonância magnética (semelhante
aos usados nos hospitais), identificam-se as áreas do cérebro que são activadas perante os diferentes
objectos de estudo. Desta forma, é possível determinar, por exemplo, as sensações que um consumidor
pode ter ao ver um determinado anúncio publicitário. Ou seja, o neuromarketing pode descobrir mais
sobre nós… do que nós próprios temos consciência.
A técnica até já permitiu chegar a conclusões curiosas. A título de exemplo, descobriram que a imagem
da parte da frente de um carro activa as áreas do cérebro ligadas ao reconhecimento de rostos humanos.
Quer isto dizer que acaba por ser a “cara” do automóvel e ter uma importância semelhante ao rosto de
uma pessoa. A partir deste estudo, colocou-se a hipótese da inconfundível grelha frontal do BMW ser um
dos factores responsáveis pelo actual sucesso da marca.
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Naturalmente, o próximo desafio já não é saber que áreas do cérebro se activam, mas sim como se pode
estimular as zonas certas do cérebro através de campanhas publicitárias e estratégias de marketing mais
eficazes. Como não podia deixar de ser, já apareceram os primeiros críticos deste neuromarketing
denunciando, uma vez mais, o perigo “manipulador” e “maléfico” da técnica, se estiver ao serviço das
empresas. Contudo, para os mais atentos na área do marketing e publicidade pouco mudou. E para si?!?...
Não acredito que ainda pense que é inocente colocar sempre “belas” mulheres ao lado dos carros que os
“mestres” apreciam nas exposições automóveis?!?... Pois, não é só o carro que está a venda, mas também
o sonho que, com aquele carro, também se pode ter uma mulher daquelas. Como Charles Revlon disse: “na
fábrica produzimos cosméticos, nas perfumarias vendemos sonhos”. E foi o próprio Freud que nos ensinou
que nós só somos aquilo que sonhamos. Se sonharmos pouco, pouco seremos. Se nada sonharmos, nada
seremos.
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Paulo Antunes e Cristela Bairrada - Abril 2007
Quem não sabe dançar culpa o chão (Provérbio Hindu)
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O fim do último século lançou para a ordem do dia a gestão da inovação, mas a importância da inovação
nem sequer é de agora. Alexander Graham Bell, inventor do telefone, já aconselhava “não ande pelo
caminho traçado, pois ele somente o conduz onde os outros já foram”. John F. Kennedy, antigo Presidente
dos Estados Unidos da América, dizia que a mudança era a lei da vida e quem olhava apenas para o passado
ou para o presente seria esquecido no futuro. Considerado por muitos como o pai da gestão, Peter Drucker
difundiu a máxima de que “uma empresa tem que ter dois objectivos: marketing e inovação. Pois tudo o
resto são despesas”. Mais tarde, o milionário Bill Gates, da Microsoft, defendeu que “as únicas
companhias que conseguirão ter êxito serão aquelas que considerarem os seus produtos obsoletos antes que
os outros o façam”.
Para além de motor da própria economia, a verdade é que a inovação é o maior garante de sobrevivência
empresarial. Pelo menos, nesta ideia, os gurus contemporâneos parecem estar de acordo. David Kelley, da
Stanford University, até admite que “a criatividade pode ser um dom pessoal, mas a inovação não o é.
Por essa razão deve ser ensinada”. Infelizmente, Kelley não referiu que a própria criatividade pode ser
treinada e desenvolvida. Tom Peters, o mais mediático dos gurus da actualidade, adverte que a grande
maioria das inovações não são retiradas das análises de mercado, mas sim da inspiração de pessoas que
estão irritadas com o estado das coisas. Curiosamente, para Peters, o problema não é ter ideias
inovadoras, mas sim conseguir derrubar as antigas. Ou seja, a dificuldade é ultrapassar a visão
conversadora de quem tem o poder de decisão. E isto porque “a inovação não passa pelo topo”. Quem o diz
é Gary Hamel, da London Business School, que não se cansa de questionar: onde é que se tem mais
probabilidades de encontrar pessoas com menor diversidade de experiências, com maior investimento no
passado e com a maior reverência pelos dogmas?!?.... No topo, claro está. C. K. Prahalad, docente na
Michigan Ross School of Business, reforça mesmo esta ideia com a memória que “jamais uma monarquia
fomentou a sua própria revolução”.
E talvez seja esta a razão pela qual os programas de ensino continuam a dar tão pouca importância às
temáticas da inovação. O problema é que a inovação precisa da criatividade e a criatividade não provém
do raciocínio lógico dedutivo, nem de pessoas formatadas em processos, sistemas e casos de sucesso.
Parece que muita boa gente se esquece que a gestão da inovação apareceu para resolver os problemas
deixados pelas modas pré-formatadas da reengenharia e da certificação da qualidade.
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E como era bom que a visita dos nossos decisores à Índia tivesse trazido de lá a curiosidade em ler as
ideias “anticientíficas” de indianos como o C. K. Prahalad, Sumantra Ghoshal ou Vijay Govindarajan, que
são hoje uma referência mundial. E como era bom, pois, só assim, pode ser que as nossas escolas e
professores passem a dar o exemplo de inovação, que começa nos métodos de ensino. Pois, só assim, pode
ser que comecemos a ouvir as empresas e as organizações externas às nossas instituições de ensino. Pois,
só assim, pode ser que comecemos a perceber o significado do velho provérbio oriental “podemos escolher o
que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos”. Pois, só assim, pode ser que comecemos a
perceber que nós, os professores, se não formos parte da solução é porque somos parte do problema.
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Pois, só assim, pode ser…
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Paulo Antunes - Fevereiro 2007
Sonha como se vivesses para sempre (James Dean - Actor)
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Nunca o marketing esteve tão atento ao segmento dos consumidores mais idosos. Na verdade, fruto dos
avanços da medicina e das próprias condições sociais, a esperança média de vida aumentou e a tendência
é para que continue a subir. Por outro lado, os rácios nacionais indicam que existem aproximadamente
dois trabalhadores por cada reformado. Assim sendo, os idosos representam já um terço dos portugueses
com poder de compra. Se a estas conclusões juntarmos o tradicional conservadorismo de poupança dos mais
velhos, torna-se fácil perceber como os reformados detêm hoje um poder económico e patrimonial que não
pode ser menosprezado pelas empresas.
Atentos a esta situação e com um significativo número de cidadãos não activos a dispor de reformas
razoáveis, os bancos publicitam contas reformado, as agências de viagens invadem as caixas de correio
com programas de fim-de-semana dirigidos aos mais velhos e até aparecem na televisão promoções de
ópticas com desconto igual à idade. Curiosamente, as entidades responsáveis pelos jogos de sorte como
o Euro Milhões dirigem, cada vez mais, a sua publicidade aos mais velhos … ou não fosse a esperança a
última a morrer.
Na verdade, algumas gerações atrás, era raro não serem os próprios filhos a garantir a subsistência dos
pais na velhice. Contudo, hoje, são os pais que ajudam os filhos a comprar a casa, carro e “subsidiar”
o aparecimento dos netinhos. Pelo menos, em poder económico e patrimonial, a velhice é um posto e o
marketing das empresas já percebeu que os consumidores passaram a ser como o vinho do Porto: quanto
mais velho melhor.
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O curioso é que estes consumidores mais velhos parecem estar a ficar “mais novos” nas suas opções de
compra. Hoje, é comum ver idosos de sapatilhas e roupas que, há poucos anos, pareciam condenadas apenas
ao segmento mais jovem. Por outro lado, hábitos alimentares e bebidas tradicionais dos mais jovens
ganham espaço de consumo nos mais velhos. E tudo isto parece fazer-nos caminhar para a “Terra do Nunca”,
da famosa história do Peter Pan, onde ninguém envelhecia. Baptizada pelo autor e consultor americano
Sam Hill de Peterpanismo, o certo é que a importância desta tendência, dos mais velhos adoptarem
opções mais jovens, já deixou de ser questionável. Por isso, seja bem-vindo a uma nova era… onde
todos os bilhetes de identidade mentem.
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Paulo Antunes - Janeiro 2007
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